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Wednesday, April 8, 2009

the painted veil - john curran

the painted veil [2006] - john curran

eis um filme de um realizador que desconhecia, mas feito com alguma mestria. trata-se da estória de um casal, de um casamento de conveniência, em que ele, sabendo do interesse, apesar de tudo a ama. e acredita que esse amor, e por força dele, se poderá tornar correspondido.
toda a acção decorre numa maravilhosa e remota região da china colonial, numa época em que a revolução cultural já se assumava no horizonte.
ele é um bacteriologista com formação em medicina que pretende ajudar, sem qualquer intenção política extra, uma população pobre e fustigada pelas epidemias inerentes a essa pobreza, sem qualquer noção do que são realmente as doenças: vivem num mundo de crenças e tradições...
mas uma vez na china, a sua mulher envolve-se num amor impossível com uma importante figura política do regime colonial inglês. um duro golpe no seu amor incondicional por ela e que o leva a tomar medidas extremas, obrigando-a a ir para uma região interior dizimada pela cólera. pelo caminho mais longo e díficil, à laia de castigo e ao abrigo da sua desilusão...
o seu único objectivo é ir ajudar quem sofre, mas apesar de tudo cheira a vingança e é de facto uma medida drástica para a sua mulher, sobre a qual já não tem qualquer esperança.
debaixo deste manto é contudo um filme sobre o amor sem limites nem fronteiras, que só pelas magníficas paisagens já justificava o visionamento. por isso, e apesar do enredo não ser surpreendente ou original, é um belo filme e que no fim, apesar de triste, nos consegue tocar. gostei bastante, mesmo sendo algo batido, estilo paciente inglês. a ver sem dúvida alguma, quanto mais não seja pela época e região em que se passa...

a minha classificação: 8 em 10

Monday, March 30, 2009

half nelson - ryan fleck

half nelson [2006] realizado por ryan fleck é um filme invulgar, mas retrata uma realidade americana infelizmente e provavelmente bem mais comum do que o desejável. é um filme, que apesar de ausente em violência, carrega uma dureza for do vulgar. é uma viagem ao mundo da droga mas em que a decadência não é aquela que normalmente imaginamos.
conta-nos a história de uma relação professor-aluno em que o é o professor o dependente, neste caso de crack, numa espiral de destruição em que o vício lhe vai destruindo pouco a pouco a vida aparentemente bem sucedida: dá aulas num qualquer colégio americano, numa qualquer cidade e em que ninguém se parec importar muito com isso; no fundo diz-nos que qualquer um pode caír, não é por ser pobre ou rico ou destroçado ou marginalizado...
isto é bem diferente da imagem comum e padronizada que temos, em que sempre imaginamos os meninos-ricos ou pessoas problemáticas, os guetos sociais ou o desemprego, a incapacidade de ter uma vida ou a incapacidade de suportar a pressão como vítimas(?) deste flagelo. não, não é assim que as coisas acontecem, ninguém se mete nessas coisas para resolver problemas! a verdade é que é uma caminhada longa e contínua para o abismo, mas que começa por acaso.
mas o filme não nos conta nada disso, só nos mostra o momento presente do personagem, sem julgamentos ou críticas e isso sim é verdadeiramente diferente!
é um filme duro, mas em que a esperança existe, e em que uma aluna que vive no meio destas coisas acredita nele, sem palavras e sem exigências, e lhe estende a mão como se estende a mão a um amigo e o ajuda como ele a quer ajudar, sem prazos sem forçar, sem o tentar fazer ver, só por acreditar nessa amizade; ela simplesmente espera até ele ver isso...
e é duro porquê? não é só por termos acesso à sua vida, é duro por vermos que em cada esquina e em cada vida existe, é real; um verdadeiro negócio que atinge a vida de tantos e tantos. e qauntos têm esta sorte de se poder libertar? não que o filme nos mostre que essa libertação é possível, mas deixa um alívio suspenso no ar...
bem realizado, com excelente representação é um bom retrato da sociedade americana, e quiçá do mundo moderno, num ritmo algo lento, mas um filme a ver sem reservas.

a minha classificação: 7,5 em 10

Monday, March 23, 2009

californication

californication - directed by tom kapinos

acabei de ver a segunda season do californication ontem e devo dizer-vos que não fica nada atrás da primeira. para mim a melhor série de televisão de sempre (o seinfeld não conta, além de ser uma sitcom, sería concorrência totalmente desleal dada a sua incomparável genialidade)! claro que o facto de não a ter visto no canal 2 lhe tira algum elan, porque aquela espera por mais um episódio, que ou se via então ou se perdia quase para sempre lhe dava de facto alguma coisa extra... mesmo assim adorei, e quer-me parecer que a terceira não vai ser-mais-do-mesmo, vai ser ainda melhor; só não sei se o efeito surpresa não lhe vai fazer alguma falta, mas quem sabe se não vai haver uma mudança de ares para a big apple?! não vou falar da estória, todos a conhecem, é a vida de um escritor pós-moderno, que a mim me faz lembrar um livro de charles bukowski. não será o mulheres escrito no séc XXI?! mas é uma série imperdível que nos faz sonhar rir e chorar de inveja, quem não a viu não sabe o que perdeu... excelente argumento e fotografia, grandes actuações (mesmo o do x-files que eu sempre detestei está aqui para as curvas), imprevistos confrontos romance sexo drogas amantes arte música amor literatura e caralhadas, you name it, esta série tem tudo o que é bom embrulhado em smokys deluxe de formato vintage!!! e tudo isto como se fosse verdadeiro cinema, uma obra-prima sem preconceitos a não ser os já citados... um murro no estômago para quem está habituado a ver a sopa que é a nossa televisão cada vez mais popularucha! longe vão os tempos em que eu apregoava aos sete ventos que o nosso segundo canal era a melhor televisão do mundo (com os ciclos de cinema diariamente, por exemplo, lynch kubrick ford welles leone fellini etc etc etc); tudo isso é passado, mas o que nos vale é que volta-e-meia ainda nos apresentam pérolas como esta!

a minha classificação: 10 em 10

Saibogujiman kwenchana - I'm a Cyborg, But That's OK

i'm a cyborg, but that's ok - directed by chan-wook park

directamente da coreia do sul, chega este excelente filme do realizador do magnífico oldboy, o seu filme mais conhecido e sem dúvida um must para quem goste de bom cinema. este, apesar de não ser genial como o oldboy, não deixa de ser bem interessante e tem, igualmente, uma fotografia assombrosa! todo o filme gira em volta dos residentes de um hospital psiquiátrico e da sua loucura(?). um pouco como o voando sobre um ninho de cucos. o que não é um tema nada fácil de ser bem sucedido, como se pode facilmente imaginar! durante a primeira metade são-nos apresentados os diversos personagens e os seus problemas, focando com mais intensidade uma mulher jovem que pensa ser um cyborg, que fala com as máquinas e que se alimenta exclusivamente da energia de pilhas; e de um cleptomaníaco que anda sempre com mácaras de coelho para esconder a sua vergonha. mas há mais alguns que entram activamente na história... na segunda parte o tema é já o romance destes 2 personagens e a ajuda do homem-coelho-ladrão na salvação física da cyborg, coisa que os médicos não estavam a conseguir. alimentado-se de energia e sem comer era complicado sobreviver, não acham?! mas ela estava convencida e o seu único interesse era qual o sentido da vida e, principalmente da sua vida! o amor, mesmo sem essa consciência normal, pode mover montanhas, e o homem-coelho está decidido em salvá-la, contando com a sua inteligência e ajuda de todos os outros loucos. posto assim parece um inenarrável filme de série-b, mas a verdade é que chan-wook park leva a água ao seu moínho: para salvar alguém às vezes basta ouvir e compreender, nada mais nada menos! com tudo no seu lugar, com efeitos-especiais a ajudar no ponto certo e com a espantosa fotografia e representação, este foi um filme de que não percebi a ideia durante uma hora, mas que depois me consegiu deliciar. talvez esteja a ser um pouco benevolente demais, mas este é um filme diferente e cativante no meu entender, um romance belo e sem fronteiras ou limites...

a minha classificação: 8 em 10

This is England


this is england - directed by shane meadows

este post marca uma nova etapa, paralela às flores, na varanda selvagem e, espero eu, o princípio de muitos novos comentários a filmes, séries, e livros que vou vendo e lendo aqui-e-ali. já faz tempo que estes são 2 dos meus temas preferidos, muito anteriores à jardinagem, mas só agora me sinto com força para falar regularmente sobre eles! pelo menos assim o espero...
claro que já vi muitos filmes e li bastantes livros, mas é difícil recordá-los ao ponto de escrever sobre eles sem os rever ou reler; por isso mesmo optei por só o fazer quando uma dessas condições se tornar re-efectiva, mas mais no caso dos filmes, porque os livros são mais fáceis de recordar acho eu...
outra coisa a ter em conta é o facto de eu dar 99% de primazia aos realizadores e apenas 1% aos actores! e mesmo assim porque há alguns actores fetiche que só entram em determinados tipos de filme... é isso mesmo, para mim um par de caras bonitas estão muito longe do que eu considero cinema, bem como os efeitos-especiais os cenários o guarda-roupa são apenas vistos como parte integrante de uma história e nunca(!) a estória em si...
para mim é da dupla realizador-argumento que nasce o cinema, o resto só me interessa se ao serviço dess dupla.
após estas pequenas-longas considerações, vamos então a isso:

this is england - directed by shane meadows

é sem dúvida um belo filme, dum realizador que até agora me era um estranho embora o nome me diga qualquer coisa, mas não sei bem de onde. bem realizado, com tudo no sítio e uma banda sonora bem apropriada ao tema; peca talvez por ter um pouco de ritmo a menos e lhe faltar algum efeito surpresa...
conta-nos a estória de um miúdo recém-chegado a um subúrbio de uma qualquer cidade inglesa, um desses de onde saíram muitas das grandes bandas punks dos anos 80 nas terras da dama-de-ferro. sem amigos, com o pai morto nas falklands, sem grandes recursos financeiros é um alvo fácil da chacota na escola (onde todos o gozam pelas roupas datadas) o seu dia-a-dia é um pesadelo. como todos os rapazes quer fazer parte de algum grupo, no fundo quer-se sentir de algum modo integrado, compreendido e aceite pelo que é.
sem ninguém que goste dele, além da compreensiva mãe, anda desanimado pelas ruas até que um dia choca com um bando de pseudo-skinheads que acabam por ver nele a tristeza e lhe estendem uma mão, que o fazem sentir-se alguém...
é o início de uma trajectória em direcção ao racismo e xenofobia, mas no fundo eles são skins por opção estética, uma moda desses tempos, em que as doc martens e o cabelo rapado assumiam o papel principal.
revoltado com a morte incompreendida do pai em nome de um ideal intangível ele entra no esquema sem perceber realmente o que ele significa, até a quase morte de um dos seus amigos negro, o despertar para a loucura em que estava envolvido...
a guerra ou a violência em nome de ideais são coisas repugnantes, mas parecem cada vez mais comuns nos nossos dias, agravadas pela crise social que vivemos são uma desculpa fácil e demagógica para os nossos problemas!
um tema pesado, mas tratado com alguma ligeireza, onde falta, talvez, um pouco mais de envolvência sentimental e desenvolvimento do carácter dos personagens, mas mesmo assim bem conseguido. um bom retrato de época, a ver sem reservas

a minha classificação: 7,5 em 10